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NEXO CAUSAL
Reconhecimento facial

Oxford Street, em Londres, deve receber câmeras fixas de reconhecimento facial em dezembro

Ilustração de uma rua comercial de Londres com luzes de fim de ano e uma câmera de vigilância presa a um poste
Imagem ilustrativa gerada por IA

A Oxford Street, em Londres, uma das ruas de comércio mais movimentadas do mundo, deve receber em dezembro câmeras fixas de reconhecimento facial ao vivo (live facial recognition, LFR), segundo reportagem de George Lithgow, correspondente da agência britânica PA, publicada em 23 de outubro de 2026.

Com isso, milhares de pessoas que forem às compras de Natal poderão ter o rosto escaneado, numa rua que recebe cerca de meio milhão de visitantes por dia.

O sistema compara o rosto de quem passa diante da câmera com uma lista de suspeitos procurados, e a Oxford Street ficaria entre os primeiros lugares do Reino Unido com estrutura permanente de reconhecimento facial ao vivo, com câmeras que devem ser presas ao mobiliário urbano, como postes de iluminação.

Parte de um plano maior

A instalação acompanha a transformação da Oxford Street em via de pedestres: um trecho da rua seria fechado aos veículos na semana seguinte à reportagem, e o plano é que a rua inteira fique, com o tempo, sem trânsito.

A Polícia Metropolitana de Londres (Met) também pretende usar câmeras fixas de reconhecimento facial no West End e no Soho, áreas que estão entre as de maior criminalidade da cidade, e a tecnologia já começou a ser usada em estações do metrô de Londres.

Um porta-voz da Met disse que o reconhecimento facial ao vivo “é uma ferramenta importante que está nos ajudando a manter Londres segura” e que câmeras fixas foram testadas por seis meses em Croydon, contribuíram para uma redução de 10% na criminalidade e levaram a 173 prisões, o equivalente a uma a cada 35 minutos.

O porta-voz afirmou que os sistemas fixos só ficam ligados quando há policiais no local e que placas vão avisar o público sempre que houver uso, enquanto os pontos onde as câmeras serão instaladas ainda estão em discussão com os parceiros da polícia.

O comissário da Met, Sir Mark Rowley, chamou o reconhecimento facial ao vivo de “um dos avanços tecnológicos mais revolucionários do policiamento nos últimos anos”, e desde o início de 2024 a corporação prendeu mais de 2.000 pessoas com o uso da tecnologia.

Críticas e falta de lei específica

Organizações de direitos humanos criticam a tecnologia, e Akiko Hart, diretora da Liberty, disse que, com as câmeras fixas, milhares de pessoas terão o rosto escaneado por uma “tecnologia de vigilância não regulamentada”, sem que lhes seja dada escolha.

Ela lembrou que a consulta pública do governo sobre reconhecimento facial terminou em fevereiro e que a resposta ainda não foi publicada.

Segundo a diretora, essa falta de transparência prejudica a confiança do público, e a instalação deveria ser suspensa “até que existam leis claras, salvaguardas adequadas e fiscalização independente”.

A consulta foi aberta pelo governo britânico em dezembro de 2025 para definir um marco legal para o uso de biometria, reconhecimento facial e tecnologias semelhantes pelas forças de segurança, e o Home Office, ministério do Interior britânico, deve publicar a resposta ainda nesta sessão do Parlamento.

A ampliação tem o apoio da líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, que, na conferência anual da Police Federation, disse que o partido vai expandir o reconhecimento facial ao vivo para que os policiais, em vez de passar horas e horas vasculhando imagens de câmeras de segurança, obtenham uma correspondência “em segundos”.

A agência alemã dpa, em texto publicado pelo jornal Daily Sabah no mesmo dia, traz os mesmos dados sobre a instalação, o teste em Croydon e as declarações da Met e da Liberty.

Fonte original: The Irish News (agência PA), George Lithgow, 23.Out.2026.

Marcadores: reconhecimento facial, vigilância, Polícia Metropolitana, Londres, Reino Unido.

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