Ferramenta do Georgia Tech recupera conversas apagadas de assistentes de IA em celulares Android

Apagar uma conversa com um assistente de inteligência artificial no celular pode não apagar tudo o que o assistente guardou, segundo trabalho divulgado pela Faculdade de Computação do Georgia Tech em 13 de outubro de 2026.
Pesquisadores da universidade desenvolveram uma ferramenta, chamada ORISA, que recupera conversas apagadas de assistentes de IA executados em celulares Android e consegue remontar o material recuperado numa sessão de IA que volta a funcionar.
Onde ficam os vestígios
A pesquisa trata dos assistentes locais, que rodam no próprio aparelho em vez de mandar a conversa para um serviço em nuvem.
Enquanto o assistente está em execução, informações das conversas podem continuar na memória de trabalho do celular mesmo depois de apagadas, e é nessa memória que o ORISA procura os pedaços das conversas eliminadas.
O teste com 100 fatos
Num dos experimentos, os pesquisadores criaram um assistente fictício chamado “Project Note Keeper” no aplicativo ChatterUI para Android, passaram a ele 100 fatos fictícios sobre um projeto e depois apagaram a conversa.
A ferramenta recuperou informações da conversa apagada e com elas montou uma nova sessão de trabalho, e, quando os pesquisadores pediram ao assistente restaurado que listasse as anotações do projeto, ele devolveu 26 fatos.
A sessão original só tinha acesso a 14, porque o restante já havia saído da memória ativa do assistente, de modo que os pesquisadores recuperaram informação que a IA já não usava.
“Ela pode ajudar a estabelecer que informações alguém compartilhou com um assistente de IA e que ajuda recebeu”, disse Ken Xu, doutorando e autor principal do estudo.
O ORISA foi testado com 10 aplicativos Android e três modelos de IA, e nas 60 configurações de teste a ferramenta recuperou informações de conversas que ainda estavam na memória do celular.
Os pesquisadores dizem que a recuperação fica mais difícil à medida que outras atividades do aparelho sobrescrevem essa memória.
Uso pericial e privacidade
Segundo a universidade, o trabalho pode dar aos investigadores de perícia digital uma nova forma de recuperar informações de celulares e, ao mesmo tempo, levanta preocupações de privacidade para quem usa assistentes de IA que rodam no próprio aparelho.
A pesquisa foi apresentada no IEEE Symposium on Security and Privacy de 2026, com o artigo “Recovering and Rehosting Mobile Local LLM Conversations and Contexts via Memory Forensics”.
Os autores são os doutorandos Ken Xu, David Oygenblik, Runze Zhang e Mingxuan Yao, o pesquisador Muhammad Ibrahim e o professor associado Brendan Saltaformaggio.
O trabalho foi feito no Cyber Forensics Innovation Laboratory do Georgia Tech, uma colaboração entre a School of Cybersecurity and Privacy e a School of Electrical and Computer Engineering.
Fonte original: Georgia Tech College of Computing, John Popham, 13.Out.2026.
Marcadores: perícia digital, Android, inteligência artificial, memória volátil, privacidade.