Ucrânia alerta para invasões de câmeras de vigilância Dahua pelo acesso remoto em nuvem

A CERT-UA, equipe de resposta a incidentes de computador da Ucrânia, alertou que invasores conseguiram acesso remoto não autorizado a câmeras e gravadores de vídeo da fabricante chinesa Dahua ligados à internet.
Segundo o The Record, que noticiou o caso em 26 de outubro de 2026, os invasores mudaram configurações dos aparelhos e criaram contas de usuário sem autorização, e o site Security Affairs informa que o alerta é de 23 de outubro de 2026 e que os invasores também assistiram ao vídeo ao vivo das câmeras.
A agência não disse quantos aparelhos foram comprometidos, quando os ataques aconteceram nem quem é o responsável, e o The Record lembra que equipamentos de vigilância chineses continuam muito usados na Ucrânia, inclusive por órgãos do governo e unidades militares.
Como os invasores chegam às câmeras
Segundo a CERT-UA, os ataques parecem explorar o Easy4IP, recurso que permite acessar as câmeras Dahua a distância pelo serviço em nuvem do fabricante.
Com o recurso ligado, o aparelho abre por conta própria uma conexão de saída até a nuvem da Dahua e se registra pelo número de série, e a partir daí pode ser alcançado pela nuvem mesmo atrás de firewall ou sem acesso direto pela internet.
Segundo o Security Affairs, a falta de acesso direto pela internet não garante a segurança do aparelho.
O problema seguinte está nos números de série, que, de acordo com a CERT-UA, seguem padrões previsíveis, o que permite aos invasores testar uma grande quantidade de números e achar câmeras registradas na nuvem.
Por isso, aparelhos com acesso remoto ligado podem estar expostos mesmo que o número de série nunca tenha sido divulgado.
Achado o aparelho, os invasores podem tentar senhas fracas ou de fábrica, ou explorar falhas de firmware desatualizado que permitem pular a autenticação.
A CERT-UA citou duas falhas críticas divulgadas em 2021, a CVE-2021-33044 e a CVE-2021-33045, que afetam certas câmeras e gravadores da Dahua e que, segundo o Security Affairs, permitem entrar sem senha, de modo que uma senha forte não protege um aparelho vulnerável.
O que procurar no aparelho
O alerta lista sinais de invasão: contas que o dono não reconhece, configurações alteradas (como texto sobreposto à imagem do vídeo) e registros de auditoria com acessos pelo protocolo DVRIP vindos do endereço 127.0.0.1, que podem indicar entrada pelo serviço em nuvem.
A ausência de texto sobreposto não significa que a câmera esteja limpa.
Entre as recomendações, a CERT-UA pede que o acesso P2P e em nuvem seja desligado quando não for usado, que as câmeras fiquem fora da internet (com acesso remoto só por VPN e de endereços autorizados), que a lista de contas seja revisada e que o firmware seja atualizado à mão para a versão mais recente.
Organizações que encontrarem sinais de invasão devem comunicar à CERT-UA e verificar todos os aparelhos Dahua da rede, inclusive os esquecidos.
Contas que sobrevivem à redefinição
Em agosto, a empresa de segurança Hunt.io relatou que mais de 14.500 aparelhos Dahua tinham sido comprometidos no verão europeu, com as infecções confirmadas concentradas na Ucrânia e na Rússia.
À reportagem do The Record, a Hunt.io disse que os métodos são muito parecidos com os descritos pela CERT-UA, mas que “não há evidência ligando os ataques aos mesmos hackers”.
A empresa alertou que as contas maliciosas e os códigos de recuperação sobrevivem à troca de senha e, na maioria das versões de firmware, à restauração de fábrica, o que pode manter as câmeras acessíveis por meses.
Segundo os pesquisadores, apagar as contas não basta para proteger os aparelhos sem atualizar o firmware.
O The Record registra ainda que, em janeiro de 2024, o SBU, serviço de segurança da Ucrânia, informou que a inteligência russa invadiu duas câmeras em prédios residenciais de Kiev para observar a defesa aérea e a infraestrutura crítica, câmeras que tiveram o ângulo alterado e passaram a transmitir as imagens no YouTube.
Registros de compras públicas mostram que órgãos do governo e unidades militares ucranianas continuaram comprando equipamentos Dahua em 2026.
Fonte original: The Record from Recorded Future News, Daryna Antoniuk, 26.Out.2026.
Marcadores: perícia digital, câmeras de vigilância, Dahua, Ucrânia, vulnerabilidade.